Esta manhã encontrei o teu nome- Maria do Rosário Pedreira

 

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida – como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.

 

Maria do Rosário Pedreira (1959) é  uma poeta portuguesa, editora e escritora. Desempenha actualmente funções no grupo Leya, depois de ter passado pela editora QuidNovi, pela Temas & Debates e pela Gradiva.
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Às ladeiras de Calçado

 

 

As ladeiras

As ladeiras

De minha terra

Sinuosas e belas

É por onde

Ainda hoje

À distância

Percorro

Os descaminhos

Da vida

Ando-as diariamente

Em saudade intermitente.

 

Obs: Eu nasci em São José do Calçado (ES), uma linda cidade quase na divisa do Espírito Santo com o Rio de Janeiro. Calçado é como Ouro Preto, entrecortada por ladeiras, só que infinitamente mais bonita que a bela cidade mineira.

Um poema chamado Mané Garrincha

Um poema chamado Mané Garrincha

fez que foi
voltou
o mané foi
fez que veio
voltou
o mané veio
foi veio voltou
[ gol ]
assim foi garrincha
o maior de todos os manés
mas a vida
grande mané
fez que veio foi
e não voltou
e levou nossa estrela
mas no coração do menino
que ainda sou
sua estrela brilha
na saudade de teus dribles
na ternura de tua inocência
tu mané
que fostes a maior estrela
a engrandecer a constelação de estrelas
de uma estrela solitária
chamada botafogo
obrigado doce mané
tu és hoje
a mais bela e fulgurante estrela
a driblar no infinito do universo
não fosse cada drible seu
um belo e saudoso verso
de um poema chamado:
Mané Garrincha
A  Alegria do Povo!
Zatonio Lahud