Eu, Solidão

Poema sobre eu e minha solidão

Andei. E não encontrei. Parei. Sentei. E fiquei olhando uma pequena formiga que carregava uma folha que deveria ter umas cem vezes o seu peso.

Eu não carrego peso nenhum. Só o de minha Solidão. Que é leve. Sempre foi excelente companheira. Solidária. Amiga. Presente, sempre. Onde vou ela me acompanha. Silenciosa. Sábia. Por vezes, irônica. Ri de minhas aventuras e desventuras. É alegre, a minha Solidão.

Quando estou só e triste, é ela quem me consola. Quieta comigo. Me afaga. Como que me protegendo das dores do mundo.

E assim vivemos em comunhão… Eu, Solidão.

Sou profeta só d’eu

Eu não desacredito, apenas sou cético quanto aos exércitos radicais, sejam
eles religiosos, ideológicos ou politicamente corretos.
Só existe uma liberdade. A de duvidar e questionar.
Não me tragam certezas- detesto-as.
Sou, é certo, incerto. Sou solidão não multidão.
A solidão é múltipla. A multidão una. 

Sou profeta só d’eu. Não de seu eu, ou de outros eu.

E rio, que desce para o mar. E rio, da onipotência do poder. Rio até não mais
poder. E misturo-me nas águas infinitas do oceano. Só.