Botafogo: tragédia e glória

Botafogo paixão

 

“O Botafogo é o clube mais calabrês, mais siciliano do futebol brasileiro”( Nélson Rodrigues).
E por que somos assim, me pergunto? Nascemos, o Botafogo Futebol Clube, para nos contrapor ao poderoso Fluminense, que dominava, sem rivais à altura, o futebol carioca no início do século passado. E fomos, logo de cara, perseguidos pelos tricolores que tentaram nos roubar, e em parte conseguiram, já que o título é dividido, o Campeonato Carioca de 1907.
No Campeonato de 1910, outra tragédia Alvinegra: Dinorah, um de nossos jogadores, era irmão de Dilermando de Assis, amante da mulher do grande Euclides da Cunha, autor de Os Sertões, uma das obras seminais da literatura brasileira. Euclides resolveu matar Dilermando. No embate Dinorah acabou ferido gravemente. O escritor acabou sendo morto pelo amante da esposa.
Dinorah recuperou-se, voltou à equipe e fomos campeões. Mas, após o ocorrido, nunca mais foi o mesmo e poucos anos da  depois da tragédia acabou se suicidando.
Em 1911, em mais uma manobra do Fluminense, um atleta Alvinegro foi injustamente punido pela Federação. Altivos e insubmissos, que somos, abandonamos a entidade e fomos disputar um campeonato por outra liga. E pagamos caro pelo gesto de grandeza. Só voltamos a conquistar outro campeonato em 1930. Mas honra não se compra. Se conquista.
E só outra tragédia fez a união dos dois Botafogo: a morte de Armando Albano, jogador de basquete do Botafogo de Futebol, que morreu quando era disputada uma partida contra  Botafogo de Regatas. Da desgraça, da dor, das lágrimas…nasceu o Botafogo de Futebol e Regatas. 
E Heleno? O mais altivo, elegante e belo jogador de Botafogo ( ele dizia que não era jogador de futebol, mas jogador do Botafogo, por isso “de Botafogo”) a desfilar sua arte pelos gramados do Brasil…Morreu louco, em um hospício de Barbacena. Sonhando, em sua loucura, a voltar a jogar pelo seu amado Glorioso. O Botafogo é atávico, senhores.
E Mané Garrincha? O mais amado jogador na memória afetiva de nosso povo. A Alegria do Povo! O  que pode conquistar de mais belo um homem que ser chamado da alegria de seu povo? Em minha opinião: nada! E o grandíssimo Mané morreu bêbado, caído em um subúrbio qualquer do Rio de Janeiro. Bem no meio do seu povo. Que tanto o amou. Triste, o destino. O Botafogo.
E a venda de nosso sagrado solo de General Severiano? Eu era jovem… E vaguei, como outros milhares de jovens, atrás de uma camisa listrada de preto e banco, com uma bela estrela por cima do coração, acompanhando um clube que não tinha sede, estádio e time… Havia nos restado uma História, uma camisa, uma estrela…E a fé, dos loucos! O Botafogo é desvairadamente louco, senhores. Por isso, apaixonante.
E o injusto destino? Somos o clube que mais cedeu jogadores para a seleção brasileira. E o que tem o maior número de jogadores campeões mundiais envergando  a camisa do Brasil. E o que ganhamos com isso? Inveja e desprezo de nossos adversários. Fora os títulos que deixamos de conquistar por estarmos desfalcados de nosso principais jogadores. Em Copas e nas longas excursões que a seleção fazia à época. Sem contar os vários que nos roubaram. Injusto destino. Que nos importa?  Somos, nós, o Botafogo. Entre tragédia e glória, vivemos.
O Botafogo não é para os óbvios. É complicado demais para as multidões ignaras. Por isso fomos escolhidos. Pela indescritível, apaixonante, sofrida e inexoravelmente louca aventura de ser Botafogo. O eternamente…Glorioso!

P.S. Hoje (8/12/2015) completa-se 73 anos da fusão entre o Club de Regatas Botafogo e o Botafogo de Futebol, que deu origem ao atual Botafogo de Futebol e Regatas

Ser Botafogo é o maior dos títulos

O Botafogo e suas loucuras

 

O Botafogo é um clube estranho, diferente… diria que sedutor em sua insanidade.

Não temos mais títulos, não temos mais torcida, não somos o “maior” em nenhum dos frios quesitos matemáticos usados para comprovar a suposta grandeza de um clube. Constam, inclusive, nas tais estatísticas, inúmeros títulos roubados.

O Botafogo, senhores, é diferente dessa gente. Qual o único clube do mundo a ter um ditado só seu gravado na memória popular de seu país: o Botafogo, afinal “têm coisas que só acontecem ao Botafogo”, não é?

E é nosso o mais querido jogador guardado na memória afetiva de nosso povo: Mané Garrincha, a alegria do povo. Lindo, não? Um é rei, outro príncipe, mais outro imperador. Nós temos “a alegria do povo”.

Ah, e no auge do futebol brasileiro, quando o Brasil conquistou três Copas do Mundo num período de apenas 14 anos,quem foi o clube que mais colaborou com as conquistas? O Botafogo, claro.

E torcedor do Botafogo, como bem definiu o jornalista Lúcio Rangel, nem gosta de futebol, gosta do Botafogo. O futebol é apenas o detalhe que nos permite exercer nosso sagrado direito de amar um clube que não é o maior em nada segundo as frias estatísticas matemáticas dos que vivem de quantidade. São os óbvios, que só  sentem-se seguros seguindo manadas ou bandos esvoaçantes. Jamais poderão ser Botafogo. O Glorioso não é para os óbvios. É para os que são escolhidos pela estrela solitária do destino.

Ser Botafogo é o maior dos títulos, e isso nos basta.

Um poema chamado Mané Garrincha

Um poema chamado Mané Garrincha

fez que foi
voltou
o mané foi
fez que veio
voltou
o mané veio
foi veio voltou
[ gol ]
assim foi garrincha
o maior de todos os manés
mas a vida
grande mané
fez que veio foi
e não voltou
e levou nossa estrela
mas no coração do menino
que ainda sou
sua estrela brilha
na saudade de teus dribles
na ternura de tua inocência
tu mané
que fostes a maior estrela
a engrandecer a constelação de estrelas
de uma estrela solitária
chamada botafogo
obrigado doce mané
tu és hoje
a mais bela e fulgurante estrela
a driblar no infinito do universo
não fosse cada drible seu
um belo e saudoso verso
de um poema chamado:
Mané Garrincha
A  Alegria do Povo!
Zatonio Lahud

Botafogoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

Botafogo paixão

O Botafogo acaba de voltar à Série A do futebol brasileiro ao vencer o Luverdense por 1 a 0.

O Botafogo. O meu Botafogo. O Botafogo amado. O destrambelhado Botafogo. O Botafogo que, por vezes, bota fogo em minha paciência. O Botafogo  que escurece e reluz. O Glorioso Botafogo voltou ao seu lugar.

A estrela brilha fulgurante no céu. Bem no centro dela vejo Heleno de Freitas, Mané Garrincha, Didi, Nilton Santos e João Saldanha abraçados e cantando o hino do Glorioso… “Não podes perder, perder pra ninguém”.

Tu és imortal paixão, Botafogo.

Qual clube no mundo tem um ditado só seu? Tu, Botafogo, pois têm coisas que só acontecem ao Botafogo.

Nós, os Botafogo, como bem disse o jornalista Lúcio Rangel, não gostamos de futebol, gostamos do Botafogo.

Bom retorno ao seu lugar, Botafogo, embora em meu coração isso não faça a menor diferença, ele é sempre Botafogo, em qualquer situação ou lugar.

O Botafogo é o mais carioca dos clubes do Rio de Janeiro

Botafogo carioca

O único clube genuinamente carioca entre os grandes do Rio  é o Botafogo.
Eu explico o motivo de minha assertiva: o Flor foi fundado por ingleses e seus descendentes e acha que é inglês até no nome: Fluminense Football Club; o Invencível Mengão é meio argentino, pelo egocentrismo e mania de grandeza de seus pacatos e ordeiros torcedores, e meio chinês, são todos iguais repetindo aquelas musiquinhas chatas que só rimam ÃO com ÃO  e ainda acham que quantidade é qualidade; o Vasco, bem o nome já revela suas origens: homenagem a Vasco da Gama, grande navegador lusitano e Vice-Rei das Índias Portuguesas. É vice de nascença, o simpático e “cheiroso” Bacalhau.
Sobra o Botafogo, o único carioca da gema, do bairro de Machado de Assis, o maior de nossos escritores; de João do Rio , o mais carioca dos cronistas do Rio; além de Vinicius de Moraes, o mais carioca dos poetas brasileiros e outro ilustre torcedor do Glorioso.

Não à toa o incomparável Mané Garrincha, que pela alegria e irreverência com que jogava foi  o mais carioca de nossos craques, surgiu no Botafogo.

O Botafogo, senhores, como um bom malandro carioca, não é para os óbvios, para os que seguem manadas.