“Cê para de sacanear o Mengão no Fuçabook que vou te meter a mão na fuça!

Meu amigo Totó defendendo seuMengão

 

Totó, depois de um tempo sumido, me ligou lá de São José do Calçado ( ES ). Tá muito bravo meu querido amigo de infância.

– Toinha, seu viadão gay burrinho!- grita ele ao telefone com sua voz grave e fina.
– O que foi Aristides? Por que essa gritaria?
– Eu falo na altura que quiser, a boca é minha, o telefone é meu e você não manda em mim! E vê se cala essa bocarra e “ouva” o que vou dizer…
– Tá bom, diz…
– A Dolores, o Orlando Gostoso, o Caçapa, o Pereira e o Baco me disseram que “ocê” vive sacaneando o nosso Mengão lá no seu Fuçabook! Acho bom parar de bobiça pra cima do Mengão que te meto a mão na fuça!
– Aristides, não é Fuçabook, é Facebook e…
– E é seu rabo! Eu sei o nome, mas  Facebook é para quem tem vergonha na face, na cara , no rosto… Coisa que você não tem, tem é uma fuça botafoguista muita da safada! Aliás, Calçado é um antro de botafoguistas safados! “Ocê, o Jilozinho, o Pedro Mello, o Carioca, o Ronaldo Oreiudo, o Ferrugem, o Maurim Pirracento, o Fabim, o Juquita, o  Pinguim… Um bando de cachaceiros sem-vergonha nenhuma no meio das fuças! É fuça!…, entendeu, seu viadão gay burrinho?! Blogueirinho de merda! E tenho dito! Fui… Safado!
E, como sempre, desligou o telefone na minha cara. Eu mereço…

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O dia em que o “Otaogo” fez o Ferrugem chorar lágrimas amarelas e espumantes

 

Em 1989 vieram de São José do Calçado ( ES ), minha terra natal, cerca de dez amigos botafoguenses para assistir à final do Campeonato Carioca em que vencemos o Flamengo e interrompemos o jejum de infinitos 21 anos de sofrimento, período em que ficamos sem ganhar um mísero título. À época eu morava em Niterói, meus pais eram vivos, e a horda de pinguços ficou  hospedada lá em casa.
Dentre estes amigos veio o Ferrugem, o mais velho da tropa e chefe da torcida organizada (?) do Glorioso lá em Calçado- a  Fogo de Fogo. Ferrugem, naquele tempo, cultivava com carinho e denodo, uma barriga com o diâmetro exato de um barril de chope ( daqueles de 60 litros ). Detalhe: nosso herói  tem a língua “plesa” e não pronuncia as letras B e F. Bêbado então…
Quando termina a partida, todos comemorando a conquista do sonhado título, a torcida alvinegra começa a cantar o hino do clube. Ao meu lado o emocionado Ferrugem, ajoelhado e com sua virtuosa pança tocando o cimento da arquibancada, chorava copiosamente- lágrimas amarelas e espumantes, creio que provocadas pelo excesso de cerveja-, e cantava a plenos pulmões: Otaogo/ Otaogo/ Campeão desde 1907/ Foste herói em cada jogo/ Otaogo…
Olhei a hilária cena e abracei meu amigo que, muito feliz, passou a entoar o canto de guerra da torcida botafoguense: Ogooooooooooooooo! Ogooooooooooooooooooooooooooooo!
Foi uma longa e feliz noite. Acho que a mais feliz de nossa vidas.

Infância feliz

Uma infância feliz a minha
Sim. Acordei com saudade. Saudade de minha infância alegre e despreocupada nas ladeiras de Calçado. Saudade de amigos queridos que se foram a procurar seus caminhos pelas estradas do mundo. Saudade dos banhos de rio no Poço do Chicão- amigo véio. Saudade das tardes felizes passadas no Bar do Crissaf- como era divertido seus xingamentos exacerbados à nossa turma, fregueses e um pouco filhos dele, e ao Botafogo em defesa de seu amado – fazer o quê?!- Flamengo. Saudade dos bailes no Montanha Clube- onde os amigos se juntavam numa grande e barulhenta família. Saudade de sair de madrugada, gaiola na mão, para pegar coleirinho com o Rogério e o Cachola. Saudade do Botafoguinho (eu, Rogério, Homerinho, Cabo Nilo, Cachola, no gol: o Paulim do Bianor ou o Bastião do Carioca- doce figura e nosso técnico) que disputou “clássicos’” inesquecíveis com o time do Tino, no campinho atrás da igreja. Saudade do biscoito de polvilho da dona Dulce. Saudade dos clássicos entre Americano e Motorista- a maior rivalidade do mundo. Saudade das divertidas mentiras do Lineu- um personagem ímpar do folclore de São José do Calçado. Saudade do Cabiúna, soltando a voz depois de tomar muitas achando ser o verdadeiro NélsonGonçalves, pobre Nélson. No rádio Milton Nascimento começa a cantar, exatamente agora, quando estou escrevendo: “Há um menino/ há um moleque/ cada vez que a tristeza me alcança/ ele vem e me dá a mão…
E eu não consigo mais escrever.… Eu sou esse menino… Esse moleque… Essa saudade…Essa tristeza…

No último dia do ano levo esporro e recebo conselho do Jilozinho

Um esporro no último dia do ano

Depois do Totó o Jilozinho. Eis o telefonema direto de São José do Calçado (ES), a cidade onde nasci, que recebi do meu outro querido amigo.

– Jarrão, seu viadão gay, feliz ano novo! Que em 2016 você crie juízo e volte a beber!

– Obrigado, Jilozinho, mas acho melhor você parar de beber!

– Jarrão, eu até andei pensando nessa bestagem, mas me deu uma vontade de suicidar danada e parei de pensar nessas bobices… Além do mais, com o nosso Botafogo de volta à série A do Brasileirão, como posso ficar sem dar minhas beiçadas de alegria?

– Mas com ele na Segundona você também bebia?

  • Bebia de desgosto, seu jumento! Viu porque você tem de voltar a beber? Cê tá muito enjoado, puxando fundamento em tudo… Eu bebo, Jarrão, porque detesto ser pobre, feio, fraco e burro! Depois que dou minhas beiçadas, fico podre de rico, lindo, gostoso, forte pra cacete e mais inteligente que o tal de Einstein. Aliás, você já reparou a miséria, feiura, fraqueza e burrice que você ficou depois que parou de beber? Além de chato pra caralho! Ah, não quero mais assunto “concê” não, depois que enviadou, parou de beber e começou a escrever poesia, cê anda mais fresco que nosso Calçadim no inverno. Logo você, Jarrão, o maior parceiro de esbórnia que já tive na vida… Nunca me conformei com essa sua traição, foi o maior desgosto que já sofri em minha longa carreira de farrista! Vou dar umas beiçadas, você me deixou deprimido! Ano que vem te ligo de novo…

Feliz ano novo, seu viadão gay burrinho!

Meu amigo Totó defendendo seuMengão

Totó acaba de me ligar ligar de São José do Calçado ( ES ), a linda cidade onde  este lindo, gostoso, genial e humildoso Barão de General Severiano veio ao mundo para abrilhantá-lo com sua espantosa inteligência e infinita modéstia.

Mas vamos ao telefonema do Totó:

– Toinha!?

– Fala Aristides, tudo bem?

– Eu falo se quiser, a boca é minha e você não manda em mim!

– Então não fala, porra, me ligou pra quê?

– Feliz Ano Novo, seu viadão gay burrinho! Você é safado e desavergonhado que nem o Jilozinho, mas é meu irmãozinho do coração…Fico muito decepcionado nessas datas, e com vontade de chorar.

– Feliz Ano Novo, Totó, também gosto muito de você. Ah, e Feliz Ânus Novo também, o Jilozinho me disse que vai operar as hemorroidas em 2016, é verdade?

– Vai tomar no cu, seu viadão gay! Safado! Vou operar sim, são os ossos do orifício, e vocês dois ficam me atazanando!  Vou matar o Jilozinho e depois vou aí te capar, seu viadão gay brocha! E não tem feliz ano novo porra nenhuma…Estou de mal com você e o Jilozinho, nunca mais converso com nenhum dos dois viadões gays!

– Mas, Aristides, porque tanto ódio no coração? Operar hemorroidas é uma coisa normal, todos estamos sujeitos a isso, não é?

– É, mas “todos” não têm dois safados como você e o Jilozinho para atazanar as hemorroidas deles, seu safado! E não fala mais comigo! Fui…