Eu, Solidão

Poema sobre eu e minha solidão

Andei. E não encontrei. Parei. Sentei. E fiquei olhando uma pequena formiga que carregava uma folha que deveria ter umas cem vezes o seu peso.

Eu não carrego peso nenhum. Só o de minha Solidão. Que é leve. Sempre foi excelente companheira. Solidária. Amiga. Presente, sempre. Onde vou ela me acompanha. Silenciosa. Sábia. Por vezes, irônica. Ri de minhas aventuras e desventuras. É alegre, a minha Solidão.

Quando estou só e triste, é ela quem me consola. Quieta comigo. Me afaga. Como que me protegendo das dores do mundo.

E assim vivemos em comunhão… Eu, Solidão.

A minha liberdade

Texto sobre ser livre

Só por hoje eu não estou… empoderado!

Só por hoje não tenho nenhum… pertencimento!

Só por hoje eu continuo não acreditando em governos!

Só por hoje, e desde sempre, eu não acredito em salvadores de pátrias e almas- são embusteiros!

Só por hoje não acredito em absolutismos- religiosos ou ideológicos!

Só por hoje continuo acreditando que só o questionamento e a dúvida são a base do saber e da liberdade!

Só por hoje tenho a certeza que o único estado que conduz à liberdade é o de homens cujo estado de espírito é livre e contestador!

Infância feliz

Uma infância feliz a minha
Sim. Acordei com saudade. Saudade de minha infância alegre e despreocupada nas ladeiras de Calçado. Saudade de amigos queridos que se foram a procurar seus caminhos pelas estradas do mundo. Saudade dos banhos de rio no Poço do Chicão- amigo véio. Saudade das tardes felizes passadas no Bar do Crissaf- como era divertido seus xingamentos exacerbados à nossa turma, fregueses e um pouco filhos dele, e ao Botafogo em defesa de seu amado – fazer o quê?!- Flamengo. Saudade dos bailes no Montanha Clube- onde os amigos se juntavam numa grande e barulhenta família. Saudade de sair de madrugada, gaiola na mão, para pegar coleirinho com o Rogério e o Cachola. Saudade do Botafoguinho (eu, Rogério, Homerinho, Cabo Nilo, Cachola, no gol: o Paulim do Bianor ou o Bastião do Carioca- doce figura e nosso técnico) que disputou “clássicos’” inesquecíveis com o time do Tino, no campinho atrás da igreja. Saudade do biscoito de polvilho da dona Dulce. Saudade dos clássicos entre Americano e Motorista- a maior rivalidade do mundo. Saudade das divertidas mentiras do Lineu- um personagem ímpar do folclore de São José do Calçado. Saudade do Cabiúna, soltando a voz depois de tomar muitas achando ser o verdadeiro NélsonGonçalves, pobre Nélson. No rádio Milton Nascimento começa a cantar, exatamente agora, quando estou escrevendo: “Há um menino/ há um moleque/ cada vez que a tristeza me alcança/ ele vem e me dá a mão…
E eu não consigo mais escrever.… Eu sou esse menino… Esse moleque… Essa saudade…Essa tristeza…

Mulher é presa por bater em marido peidorreiro

A Dawn estava na cama com seu amado Donald, quando este, sem nenhum aviso, deu início à III Guerra Mundial com um poderoso e devastador ataque de flatulências dentro do quarto. Detalhe: flatulência é sinônimo de peido, mas sou um escriba erudito e não uso termos chulos em meus textos literários. Sigamos…Pois então, como o Donald não parava com seu insano ataque de peidos, a Dawn, pacientemente, o colocou para fora do recinto.

Não adiantou nada, o Donald voltou para o quarto e continuou seu insidioso ataque de peidaria.

Foi seu grande erro! Baixou a síndrome de Dawn na Dawn, que mesmo quase sufocada por tamanha quantidade de fétidos futuns, reagiu ao ataque de seu consorte (sorte?!) e enfiou a porrada em seu amado peidorreiro.

A gasosa confusão matrimonial foi acabar em uma delegacia da Flórida, local onde se deu a batalha, e a Dawn vai responder um processo por violência doméstica.

É o que eu sempre digo, mulher é um bicho muito injusto: se casaram com comunhão de bens, a comunhão de peidos está inclusa no trato, num é?

A cheirosa notícia está em O Popular

 

Divagações sobre mulheres, Botafogo e o hedonismo do Natal

Interrogações é um espaço pós-moderno, dedicado a quebrar tabus e preconceitos.Esse negócio de Feliz Natal não cabe em um espaço progressista e iconoclasta como este. Natal é puro hedonismo consumista de uma sociedade doente e conformista aos ditames da grande indústria capitalista. Aqui não seguimos modismos nem manadas. Se gostasse de ser igual a todo mundo e seguir manada ou bando torceria pelo Flamengo . Mas detesto obviedades. Por não óbvio, sou Botafogo. No mundo só existe uma coisa tão complicada quanto o Botafogo: o cérebro feminino. Por isso as mulheres são maravilhosas: imprevisíveis, inconstantes, criativas- conseguem, do nada, arrumar uma enorme balbúrdia em um átimo de segundo, dando sabor à vida. Nos levam do céu ao inferno como num passe de mágica. O Botafogo idem.
Mas do que estava falando mesmo? Me perdi….Mulheres e Botafogo sempre foram a minha perdição. Ah, sim…do Natal…Bem, tenham todos um Feliz Natal!

Carta de um homem para Papai Noel

 

Papai Noel,
me perdoe o desabafo, mas há muitos anos venho querendo  escrever essa carta. Tantos que hoje escrevemos e-mails  no lugar de cartas. Enviei para o seu, espero que entenda o que vou dizer.
Eu fui um garoto muito pobre, Papai Noel. Muito mesmo. E você nunca passou no casebre em que morava com meus pais e irmãos para deixar um presente no Natal. Via outros garotos com um monte deles e eu e meus irmãos sem nada. E meus amiguinhos de miséria também. Por quê, Noel, pode me explicar? Eu não entendia… Hoje sei os motivos, mas continuo sem entender.
Logo na suposta data de nascimento de Jesus Cristo, que viveu na pobreza e pregava a humildade, a bondade, a caridade, o amor ao próximo, por quê?! Eu chorei muito, tinha muita vontade ganhar de uma bola de couro para jogar futebol com meus amigos, mas o senhor sempre nos ignorou. Hoje posso comprar. Estudei como um louco, passei muitas privações, mas venci. Este ano, e desde que posso, comprei várias bolas, Papai Noel.
Ontem mesmo, passei em um bairro pobre e vi várias crianças ( entre oito e dez anos ) jogando uma pelada com uma bola toda remendada. Parei o carro, peguei uma das bolas e dei para as crianças. Foi uma linda e emocionante algazarra… Uns me abraçaram, outros me beijaram… Quando eu ia saindo, olhos umedecidos, uma delas me perguntou: – Quem é você?!
– Sou Papai Noel- respondi.
– Não é nada, você não tem barba!?- exclamou.
– Mas tenho coração!
Dei-lhe mais um abraço, um beijo e fui-me…
Feliz Natal, Papai Noel!
E fique com o abraço de um homem que não deixou a criança morrer em seu coração, apesar de nunca ter ganho um presente de Natal.

E-mail de Papai Noel para Dilma e Temer

Polo Norte, 12 de Dezembro de 2015

Dilma Roussef e Michel Temer,

Escrevo este e-mail no intuito de informar que ambos não vão ganhar presente de Natal.

Ando com o saco cheio das briguinhas, pirraças e falsidades na relação entre vocês dois.

Detesto crianças egoístas mimadas e manhosas, que só pensam em si.

Repetindo: meu saco está cheio de presentes e das confusões fúteis que os dois andam aprontando no Brasil, que vive profunda crise, da qual vocês têm boa parte da culpa. Portanto, comportem-se.

Ao Temer ainda digo que esse negócio de mandar cartinha discutindo a sua relação com a Dilma é a mais pura viadagem!

Além de coisa antiga (até eu já uso e-mail), é falta  de caráter e coragem: o correto seria ter ido ao Palácio do Planalto e dizer tudo na cara dela. Você, Temer, como o Vasco da Dilma, têm acesso direto a ela.

Tenham um feliz Natal! Mas sem presentes…

Papai Noel

A revolução brasileira passa pelo ânus

“Questionamos a imponência do norte sobre o sul e a ficção criada do entendimento de que o que está em cima é mais importante do que está embaixo”.

“Questionando a imponência do norte sobre o sul e a ficção criada do entendimento de que o que está em cima é mais importante do que está embaixo, paramos para olhar para o cu, aprender a ir para o cu e aprender com o cu.”(Coletivo Macaquinhos)

A vontade que tenho é de mandar todo mundo tomar bem no centro do olho do cu! Mas não posso, vão me chamar de reacionário, os apologistas do marxismo-anal.

Essa nova teoria anal brasileira, se não tiver hemorroidas, vai abalar os alicerces de toda a produção revolucionária dos últimos 200 anos.

Como Marx, Engels, Lênin, Gramsci, Trotsky, Rosa Luxemburgo e outros grandes teóricos da revolução comunista não se deram conta que é olhando para o cu que se aprende a ir para o cu e aprende-se com o cu.

Essa é do caralho! Quanta genialidade anal!

Breve alguns desses gênios vão lançar libelos sobre o novo conceito revolucionário. Algo assim o Cu e a Revolução, em cima do clássico de Lênin,  O Estado e a Revolução; outro, este trotskista-anal, vai escrever O Cu Permanente, baseado em A Revolução Permanente, de seu mentor  revolucionário, Leon Trotsky. Lógico que vai sair A Mais Valia do Cu, A dialética Anal… E, com o tempo, teremos uma vasta obra sobre a Revolução Anal, com cu mais radical, mais moderado… Cu reacionário, cu progressista, cu de centro (não, esse já existe), cu de direita, cu de esquerda…

E ainda tem uma Oficina de Siririca e Chuca na progressista Universidade Federal do Amapá.

Para colaborar com a Revolução Anal, sugiro uns slogans: O cu unido jamais será vencido!

O cu é do povo como o céu é do condor!- mil perdões, Castro Alves.

Os filósofos limitaram-se a interpretar o cu de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo- mil perdões, Karl Marx.

Ainda bem que merda, mesmo as mentais, saem pelo cu…

 

Voltamos à barbárie

O mundo está louco, o mundo e todo mundo.
Voltamos à barbárie…
À violência estúpida da desesperança.
Dos néscios fanáticos que fazem do fanatismo religioso e ideológico, refúgios de sua obtusidade mental.
E estamos mais próximos que nunca em nossa desunião. A internet aproxima a barbárie e a inocula como vírus letal em mentes dementes, que querem certezas para viver. E as encontram na mentira do fanatismo, do ódio ao diferente, mormente se este for mais inteligente.

A “igualdade” da estupidez, da ignorância, da burrice, grassa por toda parte.
Onde estão os “iluministas”? Onde estás Denis Diderot? Por onde andas d’Alembert? E tu, Rousseau? Voltaire, precisamos de ti mais que nunca… volta!
A razão… A razão perdeu a razão. Foi violentada pela estupidez.

“O defunto estava muito feliz com a presença de todos os seus amigos”

Toca o celular:
– Onde você está?- pergunta ela.
– No velório de um amigo, quando sair te ligo. Beijo!
-Tá… Beijo!
Após o enterro de meu amigo ligo para ela:
– Oi…
– Oi… E aí, o velório foi bom?!

– Foi ótimo! O defunto estava muito feliz com a presença de seus amigos em suas exéquias, fez discurso nos agradecendo por termos comparecido à sua despedida da vida, chorou copiosamente tão emocionado ficou com tamanha demonstração de solidariedade, depois nos abraçou, o enterramos e estou retornando sua ligação- respondo.

– Grosso!!! Estúpido!!! Ignorante!!!
Plim…Plim…Plim…
Desligou o telefone na minha cara… Por quê?

(Publicado em 26/08/2011)