Conviver com cães reduz risco de traição cometida por falsos amigos humanos

A maravilha que é conviver com cães

Um estudo publicado na BBC afirma que convívio com cães reduz risco de asma em crianças.

Na verdade, afirmo eu, o maior benefício da convivência com cães é que ela reduz a zero a chance de sermos traídos por falso amigos humanos.

Cachorros não sabem o que é dinheiro, poder, política, status e outras invenções humanas criadas para submeter seus semelhantes.

 

A notícia está na BBC-Convívio com cães ‘reduz risco de asma em crianças’

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Esta manhã encontrei o teu nome- Maria do Rosário Pedreira

 

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida – como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.

 

Maria do Rosário Pedreira (1959) é  uma poeta portuguesa, editora e escritora. Desempenha actualmente funções no grupo Leya, depois de ter passado pela editora QuidNovi, pela Temas & Debates e pela Gradiva.

Que venha a vida nova

 

Que a esperança se realize.
Que a violência pereça e o amor floresça.
Que a vida seja plenitude.
Não para uns poucos, mas para todos.
Que vivamos com paixão. Mas sem jamais perder a compaixão pelos mais necessitados. Pelos que sofrem. Pelos que se perderam no caminho, por frágeis.
Sim, é necessário, essencial, que olhemos para a frente. Mas não nos esqueçamos jamais de também olhar para os lados… Se houver uma mão estendida clamando ajuda, agarre-a. E siga. O caminho se percorre amando.
Mais nós, menos eu. A única maneira de ser feliz é ser inteiro, pleno, integral!
Que venha a vida nova… O ano não importa se velho ou novo.

Angustiado

Alguns pensamentos do Barão

Ando angustiado. Meu filho está em Macau. Foi pouco antes dos atentados em Paris. Volta amanhã.

É uma longa viagem, mesmo de avião, e com escalas antes de chegar ao Brasil.

Medo de um desses malucos que andam soltos pelo mundo… Não gosto nem de pensar na hipótese, mas é meio que inevitável. E não posso fazer rigorosamente nada. Só controlar minha angústia e esperar que corra tudo bem.

Esse é o mundo que construímos… Tudo em nome de deuses que, pelo visto, adoram sangue inocente, afinal seus seguidores matam-se e matam inocentes em nome deles há milênios. E eles não estão nem aí para a matança. Amém.

 

O que é um amigo?

O que é um amigo?
O que é um amigo?
Tudo…
É a única escolha que fazemos
Sem segundas intenções
Irmãos não escolhemos
Mulheres por sentimentos vários

Amigos
Por cumplicidade d’alma

Por um sorriso
Por um abraço
Por nada…
Por tudo…

Somos amigos
E caminhamos juntos
Ainda que a distância nos separe
O coração nos une.

Tonicão

Tonicão

Hoje (2/11) é Dia de Finados, data em que recordamos nossos entes queridos que já partiram, afinal  a vida é uma eterna despedida. Abaixo a crônica que fiz para meu pai, que é a maior saudade, dentre tantas, que tenho nessa vida.

Tonicão, meu pai
Zatonio Lahud

Dia dos Pais, minha mãe avisa a mim e meus irmãos que o pai viria mais cedo para jantarmos juntos em um restaurante. Era uma sexta-feira ( no domingo os restaurantes ficam lotados ), estranhei a notícia pois meu pai não era dado a comemorações do gênero, Achava puro comércio, comerciante que era.
Marcou para 20 horas.
Antonio Lahud, era seu nome de batismo, Tonicão para todos. Pesava cerca de 110 kg- quando magro, o normal era por volta de 120 kg, distribuídos com fartura por cerca de 1,83 m de altura.

Todo mundo pronto, esperando sua chegada e nada do velho aparecer. Deu nove horas, dez, onze, meia-noite e nada, nem sombra do pai.
– Sabia- diz a mãe, hoje é sexta-feira, deve estar bebendo com os amigos e esqueceu da gente, vou preparar alguma coisa para vocês comerem. Quando ele chegar vai se ver comigo, deixa ele!- exclamou e saiu furinbunda, rumo à cozinha.

Todos de cara feia, com fome, sexta-feira perdida, quando entra o pai- já meio alto, uma sacola em umas das mãos, na outra um pequeno embrulho.
– Poxa, pai!- digo- começando a reclamar.
– Ninguém fala nada, eu explico, mas antes peguem uma cerveja para mim. Minha irmã foi lá, pegou a cerveja, o serviu e sentamos para ouvir a explicação:
– Demorei por causa disso aqui- disse- colocando o pequeno embrulho por sobre a mesa.Ganhei de presente dos meninos lá do posto- completou, já chorando.

O presente era uma carteira de dinheiro, daquelas feita em plástico barato, e ornada com o escudo do Flamengo. Os meninos eram dois garotinhos negros e muito pobres, que ficavam calibrando pneus no posto. Eram simpáticos e meu pai logo se tomou de amores pelos dois. Passou a dar almoço, comprou camisa do Flamengo, acompanhar os estudos… Essas coisas de pai.
– Mas por que está chorando?- indaguei.

– Vocês não entendem: quando estava saindo do posto os meninos vieram e me deram a carteira de presente pelo dia dos pais, compraram com o dinheirinho que ganham lá, calibrando pneus- disse ele, aos prantos.

– E aí?- perguntei.

– Aí me deram um abraço e um beijo; não aguentei comecei a chorar, botei os dois no carro e levei-os para jantar em um restaurante- nunca tinham ido em um, comeram à vontade, tomaram sorvete, uma farra danada! Depois comprei seis galetos para cada um levar pra casa e comprei mais seis pra vocês: tão aí nessa sacola! Foi isso que aconteceu, agora podem zangar- terminou, lágrimas escorrendo por seu rosto.

Como que combinados, levantamos os três, eu, meu irmão e minha irmã e fomos dar um abraço no velho- todos com lágrimas nos olhos.

As lágrimas que escorrem em meu rosto agora não são só de tristeza e saudade por sua ausência, não pai, são antes lágrimas de alegria e orgulho por ter sido você o meu pai.

Saudade.

Mãe

Há algum tempo venho acompanhando uma mãe e seu filho. Todos os dias lá vem ela, mãos dadas ao rapaz, talvez 20 anos, que é portador de síndrome de Down. Acordo cedo e desço para ver os jornais e conversar fiado na porta do boteco da esquina. Não demora muito e a cena se repete: lá vem a mãe, uma mulher esguia, uns 45 anos, cabelos lisos e negros, com seu filho, em sua rotina diária. O rapaz estuda numa escola para portadores de necessidades especiais na rua em que moro.

Na esquina eles param e ficam, todos os dias, conversando por cerca de 10 minutos. Não há, nesse tempo, um momento sequer que ela deixe de fazer um carinho no filho. Alisa suavemente seu rosto, abraça-o, riem, continuam a conversa, agora de mãos dadas. Fico ali, olhando os dois e todos os dias me emociono com aquela mãe. 

Hoje, ao despedir-se do filho, estava eu de pé e ela, ao virar-se para sair, notou que eu olhava a cena. Fitou-me com seus grandes olhos negros e se foi. Fiquei ali, estático, pensando no olhar daquela mulher.

Não havia no olhar daquela mãe nenhum resquício de amargura, ódio, ressentimento, tristeza; ao contrário: havia altivez, ali; não a altivez do orgulho e da prepotência, não; havia a altivez do amor, da ternura, do afeto; enfim do dever cumprido, não por obrigação, mas por grandeza. Sim, havia cansaço naqueles olhos, mas daquele cansaço que castiga o corpo e alivia a alma. O cansaço do prazer de amar por inteiro aquele filho; cansaço que não cansa, pois se torna nada diante do seu amor infinito.

Estou aqui escrevendo, mas a vontade que tenho é de dar um forte abraço naquele mãe e dizer: “Obrigado, mãe, nós, pobres homens, te invejamos por tanto amor…”

Zatonio Lahud- Fevereiro de 2010


Carta do Toy, meu fiel companheiro

Oi meu amigo,
estou há muito tempo querendo lhe dizer algumas coisas- mas, como você sabe, eu não falo a língua dos humanos, só a dos cães. Contudo, em um esforço sobre-canino, consegui escrever esta cartinha para você.
Primeiro queria te agradecer pela nossa infinita amizade e companheirismo. Vocês, humanos, têm umas coisas esquisitas, acham que são donos de coisas, animais e até de seus semelhantes. É tudo muito estranho para mim, por este motivo nós ficamos um tempo separado, você não era o meu “dono” e me afastaram de você. Sofri muito! Só suportei a dor de nossa separação por ter certeza que voltaríamos a nos encontrar e jamais nos separaríamos outra vez. Meu “dono” sempre foi você, meu querido amigo, porque meu coraçãozinho assim o quis. Esta é a única medida de valor que usamos: o amor que carregamos no coração!
O dia mais feliz de minha vida foi quando você foi me buscar para morar com você e meu irmão que fala, o Léo, hoje somos uma família feliz, os três, sem brigas e desavenças. Bem…como nós dois somos Botafogo e ele Fluminense, às vezes acontece um arranca-rabo entre nós, mas nada que atrapalhe nossa convivência.
Só tenho umas pequenas reclamações para fazer: não gosto quando fica muito tempo escrevendo na internet e esquece de mim, aí pulo em seus pernas para te lembrar que estou aqui e, como seu melhor amigo, preciso de carinho; também detesto quando sai e me deixa sozinho, mas quando você volta eu fico tão feliz 
que a raiva passa; sem falar que de vez em quando você esquece de botar água ou comida para mim, aí sento do seu lado e fico quieto, te olhando bem sério até você se tocar e ir ver o que está faltando. Ah, e me fez ser Botafogo, é muito sofrimento pra um cãozinho!

Fora isso é tudo perfeito, estou muito feliz e não quero que fique pensando em como você vai sofrer quando eu morrer, o importante foram os anos felizes que passamos juntos. Você é meu melhor amigo e te amo profundamente!
Era isso que queria te dizer e vê se não chora quando ler minha cartinha, você é meio bobão e vira e mexe vejo lágrimas escorrendo em seu rosto. Não gosto de te ver sofrer, fico triste.
Milhões de lambidas em suas bochechas,
do Toy Lahud, seu fiel e eterno companheiro.

PS: Publicado originalmente em 09/02/2012. Hoje, 27/10/2015, está fazendo 2 anos que meu amigo partiu.