Sexta-feira, véspera de Carnaval, partíamos rumo a Calçado. Eu, Pedro Mello e Augusto, um amigo de Niterói. O ano era 1980 e seguíamos viagem no possante Doginho Polara do Augusto. Os três já um tanto quanto, digamos…calibrados! Durante a viagem um litro de conhaque nos servia de combustível, fora algumas paradas para comprar cerveja. Tudo ia nos conformes quando, depois de Rio Bonito, Pedrinho, que estava sentado atrás (o carro só tinha duas portas), pede ao Augusto para parar no acostamento. Queria fazer xixi.

Saíram os dois pelo lado do motorista e eu fiquei no carro, pois estava cochilando no banco do carona. Abri os olhos, vi Augusto urinando na parte da frente do carro e resolvi descer para fazer o mesmo. Augusto termina, vira-se para mim e diz: ” Zé, cadê o Pedrinho?” Olho para um lado, para o outro e… nada do Buchudo!

Augusto se abaixa, olha por sob o carro e …nada! O Buchudo havia, como num passe de mágica, desaparecido.

Apavorados com o inaudito sumiço de nosso amigo começamos a gritar : Pedrinho!!! Pedro Mello !!! Buchudo!!!…. Nada! Silêncio total…. Continuamos chamando até que ouvimos um som gutural vindo do fundo do barranco : “Opa!  Tô aqui!”

– Tá fazendo o quê aí?!- pergunta Augusto.

– “Caí, porra!!! Vou subir!”

Bem amigos, foi uma cena impagável, nosso herói, já bastante calibrado, tentava subir o barranco- que devia ter uns dez metros de altura-  agarrando no capim e no mato que o circundava. Mas, invariavelmente, quando se aproximava do topo, os tufos de capim, ou mato, se soltavam e lá ia nosso Buchudo rolando barranco abaixo novamente. Augusto já estava até pensando em chamar um reboque para tirar o pobre do buraco, quando, num esforço heroico, nosso desastrado herói consegue retornar à estrada. Fora a sujeira e alguns arranhões de somenos importância, nada de mais grave aconteceu.

Depois de beber uma generosa dose de conhaque e se recompor do susto, Pedrinho, dedo em riste, vem em minha direção e, possesso, diz: “Você é um viado, devia é te dar umas porradas!!!”

– Ué, o que foi que eu fiz?!- indago espantado.

– Eu estava fazendo xixi encostado na porta do carona, você abriu a porra da porta sem olhar e me jogou lá embaixo. Olha o estado que estou, seu viado?!  E a culpa é sua!

Antes do Buchudo terminar seu esporro, Augusto e eu começamos a rir… Rimos até a barriga doer! Curou até o porre! Em compensação levei tapa na nuca até chegarmos em Calçado.

Chegamos e fomos direto ao bar do Conrado, encontrar a turma. Quando Jilozinho viu o Pedrinho naquele estado deplorável, mandou: “Ô Pedro Mello, o bloco de sujos só sai amanhã e você já veio fantasiado de porco?! Ha! Ha! Ha!

Só deu tempo do Jilozinho se abaixar, pois a garrafa de conhaque passou zunindo por sobre sua cabeça.

Foi um grande carnaval.

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